segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

TESTEMUNHO DA EX-ALUNA DINA SILVA

Vinte anos de EPO! Já? Foi a minha reacção ao saber da comemoração. Parece que foi ontem que entrei na Escola Profissional de Odemira. Já lá vão dezassete anos!
Decorria o ano de 1993. Havia concluído o nono ano no Colégio Nossa Senhora da Graça em Vila Nova de Milfontes e as opções para prosseguir estudos não eram muitas. O Colégio iria estrear o Ensino Secundário no ano lectivo seguinte, sem certeza de abertura de alguns agrupamentos, nomeadamente o de Economia, que era o que pretendia. As alternativas impunham-se: Escola Secundária de Odemira ou Escola Profissional de Odemira.
De início rejeitei a ideia de ir para uma Escola Profissional. A minha ambição sempre foi a de tirar um curso universitário, pelo que não via nesta escola o melhor meio para alcançar os meus objectivos. Foi então que uma pessoa amiga (a minha professora do primeiro ciclo!) me falou da Escola Profissional como uma alternativa viável, que não impedia o prosseguimento de estudos universitários.

Marcou-me, então, um encontro com o Dr. Salustiano, o director na altura da Escola Profissional. Com o seu poder de persuasão saí do encontro completamente decidida a matricular-me na Escola Profissional! Fez-me ver que poderia concluir o décimo segundo ano, ao mesmo tempo que obteria uma certificação profissional e, se assim o desejasse, poderia prosseguir estudos. Se, por algum impedimento não o fizesse, seria mais fácil conseguir um emprego, pois já tinha uma “profissão”.
A minha preferência pelos números sempre se impôs, em detrimento das letras. Tendo em conta a oferta formativa existente naquele ano matriculei-me no curso “Técnico de Gestão”, por ser o mais próximo das minhas preferências.
Não foram fáceis os três anos na Escola. A carga horária era excessiva, tínhamos muitas horas das mesmas disciplinas. A obrigatoriedade de concluir com aproveitamento todos os módulos e as precedências dos mesmos nalgumas disciplinas obrigava a um trabalho metódico e regular, pouco habitual em “miúdos” daquelas idades. Mas o que nós aprendíamos era um saber muito prático, próprio de um curso profissional, no qual víamos utilidade.
A obrigatoriedade de elaboração e apresentação oral da Prova de Aptidão Profissional (PAP) e a realização de estágio impunham em nós uma responsabilidade acrescida pois deles dependeria a conclusão do curso. No entanto, todos estes projectos realçavam a importância do que tínhamos aprendido, tendo a oportunidade de pôr em prática os conhecimentos adquiridos. Paralelamente tornavam-nos mais responsáveis, experientes e cientes das dificuldades do mercado de trabalho, e da vida!
Eu ainda sou do tempo em que a Escola funcionava “do outro lado do rio”, como nós dizíamos. Uma antiga fábrica de arroz com ar de Escola! Pequena mas acolhedora. Cantina? Não existia! Íamos almoçar aos restaurantes da vila, através de acordos estabelecidos com a Escola. Pequenas eram também as turmas em que nos inseriram. Permitiram a criação de laços de cumplicidade e amizade, alguns dos quais perduram até hoje. A relação com professores e auxiliares sempre foi muito próxima. Todos nos conheciam, por fora e por dentro. É essa a melhor recordação que guardo da Escola Profissional.
Quando concluí o curso não concorri logo à Universidade como sempre desejei. Fui trabalhar durante um ano. Graças ao curso e pela mão do Dr. Salustiano consegui um contrato como administrativa no Centro de Formação Concelhio de Odemira (que tinha como função proporcionar formação contínua a professores). Findo o contrato fui trabalhar na mesma empresa onde tinha realizado estágio, Candeias & Filho, Lda., como administrativa.
No ano seguinte fiz exame nacional de Matemática na Escola Secundária e candidatei-me à Universidade para o curso de Ensino de Matemática. A decisão pela Matemática prendeu-se com a possível certeza de emprego findo o curso (ingenuidade de quem tinha 18 anos!) para um dia poder vir a tirar outra licenciatura em Gestão, ou Contabilidade. Hoje sou professora de Matemática na Escola Secundária de Odemira e encontro-me a terminar o mestrado em “Matemática para o Ensino”. Gosto do que faço e os planos da outra licenciatura foram-se desvanecendo no tempo.
No entanto, muita utilidade e importância devo ao meu “velho” curso de Gestão. Foi ele que me proporcionou emprego ao longo de várias épocas balneares na mesma empresa onde realizei estágio. Foi ele que me ajudou quando concorri pela primeira vez como professora e não fui colocada, tendo ido mais uma vez trabalhar para a mesma empresa. A ele devo, essencialmente, a compreensão da organização económica e fiscal da sociedade, que considero importante para qualquer pessoa.
Muito mais poderia dizer sobre a minha passagem pela Escola Profissional de Odemira, que não cabe neste pequeno texto. Reconheço e afirmo toda a importância que teve na minha vida. No entanto, para mim o melhor da passagem pela Escola é sem dúvida o facto de ainda hoje ser reconhecida na rua pelos meus professores, pelos auxiliares da escola. Chamam-me pelo meu nome, sabem quem sou. Tentam perceber as escolhas que fiz e por onde decidi caminhar. Importam-se comigo. Uma eterna relação humana Esta é sem dúvida a melhor herança que a Escola Profissional de Odemira nos deixa.
Parabéns EPO!

Dina Margarida Camelo da Silva

Sem comentários:

Enviar um comentário